Poucos dias depois, em meio ao entusiasmo de uma noitada, Ibrahim perguntou se Mireille teria a coragem de, um dia, se casar com ele. Não era uma proposta: tratava-se apenas de uma sondagem inconsequente, quase em tom de brincadeira. Ela respondeu da mesma forma tortuosa: "por que não?" Também não era um "sim" oficial; era apenas uma especulação. Os dois riram muito com a situação e dançaram felizes pelo resto da noite, sem saber direito se estavam noivos.
Até que Ibrahim decidiu encarar a fera e contou à mãe que tinha a intenção de casar com Mireille. A reação foi a pior possível. Adibe ficou consternada, encheu os ouvidos do filho com uma série de barbaridades e passou a engendrar todo tipo de estratégia para evitar a "tragédia". Começou fazendo uma peregrinação por todas as igrejas de Beirute, deixando claro aos padres e bispos que interpretaria a realização do casamento como uma ofensa pessoal a ela. Argumentava que "aquela mulher" já havia se casado na igreja com outro homem e, além disso, tivera várias outras relações conjugais. A pressão deu resultado - Adibe era influente na sociedade local - e Ibrahim não conseguiu encontrar uma igreja para realizar o casamento em Beirute.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
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