Há algumas semanas, recebi um e-mail de um senhor chamado George Abid, professor de arquitetura na Universidade Americana de Beirute. Ele me informava que uma de suas alunas, Aline Haddad, estava concluindo seu curso e apresentando como trabalho final um estudo sobre meu avô, Zareh Nazareth Baghdassarian, importante arquiteto libanês entre as décadas de 1930 e 1960.
Em seu e-mail, George me pedia para auxiliar sua aluna fornecendo algumas informações sobre meu avô. Respondi que havia deixado o Líbano muito cedo, em 1970, aos seis anos, e que infelizmente tinha pouco conhecimento sobre a obra deixado pelo meu avô.
Prometi falar com minha mãe, que está com 78 anos e tem uma saúde frágil, mas uma memória de elefante para fatos antigos. Fui entrevistar minha mãe – uma tarde em que muitas emoções afloraram. Choramos juntas e falamos do amor pelos nossos pais, ambos já falecidos.
Ao final daquele encontro, me deparei outra vez com aquela sensação que imaginava ter deixado para trás após publicar meu livro: a angústia de querer saber mais sobre minhas origens. Quantos fatos eu desconhecia até aquele momento, e quanta coisa agora fazia sentido!
Entendi um pouco mais porque sou como sou.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
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querida Carol!
ResponderExcluirler o que você escreve me leva a uma viagem...as histórias se tornam um filme na minha mente..uma delícia..beijo, Carla Curi
Carol.
ResponderExcluirEste sentimento de querer saber o que eu realmente sou, ainda tenho quardado em algum lugar. O fato de eu ter vindo ao Japao, ter feito o caminho devolta dos meus pais, ainda nao esclareceu todas as minhas duvidas. A unica coisa que eu sei por certo e que eu sou Nissei. E que ser nissei e uma coisa boa. Tenho dentro de min os dois lados de uma cultura bela. Claro que muito mais o lado Japones. Pois ambos os meus pais sao Japoneses de Osaka. Entrei muito em conflito comigo mesma no inicio do meu "deslocamento". Nem sempre consigui entender o pensamento do Japones... E com tempo descobri o quanto o meu pai e um homen de mente aberta, e moderno para a geracao dele. Ele me criou de uma forma diferente de muitos. Ele me criou para ser muito mais Brasileira do que Japonesa. Claro que ele me passou todas as nocoes importantes da cultura Japonesa. A respeitar e ter a perseveranca do Japones, enfim, o que ele achava ser belo e importante na cultura dele. Mas ele me deu nocoes do que ele acreditava ser belo da cultura da "terra nova". Assim foi Carol que eu aprendi um pouco o que eu sou.
Somos todos o que somos, gracas a boa educacao que nos foi dado. Somos o que somos pois gracas aos nossos pais, tivemos a chance de viver outras culturas. E agradeco aos Deuses por isto.
E agradeco muito mais, pois dentro disto tudo, vim a te conhecer. Um pequeno milagre... Pois nos viemos a nos conhecer na "terra nova" dos nosssos pais.
Parabems pelo belo trabalho.
Andrea Keiko Kawamoto
Carol.
ResponderExcluirEm 1992 fiz a viagem devolta dos meus pais. Sozinha, com uma boa dose de coragem. Eu vim fazer este caminho devolta para descobrir a min mesma.
Neste tempo, vim a descobrir que eu sou Nissei. Sou uma Brasileira que sabe os deveres de um Japonesa. Um Brasileira com os trejeitos de um Japonesa. Meu pai desde pequena me criou ensinando, o que ele achava ser correto e bonito da cultura Japonesa. Mas ao mesmo tempo me deu a oportunidade de assimilar a cultura, de uma "terra nova". Carol, agradeco muito por isto. Pois agora eu sei, que eu sou o que sou, gracas a eles. Agradeco a Deus pelos meus pais que eu tenho. E muito mais por nos nos ter conhecido. Um pequeno milagre. Pois viemos a nos conhecer longe das nossas origems. Na "terra nova" dos nossos pais.
Parabens pelo belo trabalho.
Andrea
Querida Andrea,
ResponderExcluirLi e reli seus comentários várias vezes. Primeiro para matar a saudade, depois para matar a curiosidade em saber o que havia se passado depois de tantos anos com uma querida amiga de infância, e finalmente porque entendi que lá estava uma informação muito valiosa para mim. Em que outra situação, senão a da imigração, poderiam uma libanesa e uma nissei terem se tornado amigas na infância? Acho que essa colocação vale mais do que mil reflexões sobre o tema!
Querida Carla,
ResponderExcluirContinue acompanhando o blog! Vou tentar sempre te manter entretida e quem sabe te levar a lugares e situações que te façam querer saber mais. Obrigada pelo carinho.