sábado, 3 de julho de 2010
De bicicleta no Loire (3)
Existem memórias que nos acompanham a vida toda, principalmente memórias da infância, que têm o poder de nos reconfortar em vários momentos de nossas vidas. Essas memórias muitas vezes estão ligadas a cheiros. Cheiros de comida, de plantas e flores, ou até do perfume da vovó. Hoje entendo que, ao atravessar o Atlântico para baixo da Linha do Equador, esses cheiros ficaram para trás, junto com minhas memórias. Não sinto a dor da separação, como me perguntou Doris, sinto porém a dor da ausência. Ausência daquilo que me remete à minha infância, à minha história individual e única. Cheiros tropicais e o clima úmido não fazem meus sentidos se “ligarem” tanto, pois minhas “digitais” sensoriais não foram construídas no Brasil – saí do Líbano aos cinco anos. Acho que isso explica muita coisa. O Loire não é Beirute, mas a região carrega na natureza muitas similaridades mediterrâneas. Isso às vezes me faz falta...
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