sábado, 3 de julho de 2010
De bicicleta no Loire (4)
Depois de explorar o Loire de bicicleta por cinco dias e pedalar uns 100 quilômetros, conheci Karen. Ela é americana e solteira, com 50 e poucos anos. Essa mulher passou os últimos 20 anos pedalando pelo mundo. Uma guia para inexperientes como eu. Há cinco anos escolheu fincar raízes na região de Chinon. Por que Chinon? Simplesmente porque esteve por lá na juventude e se apaixonou pelo lugar. Prometeu que um dia voltaria e assim o fez. Karen mora numa casa adaptada a uma caverna troglodita do século XII. Comprou por uma notaria e recebeu ajuda do governo francês para restaurar o local e tombá-lo como edificação histórica. Depois de tudo pronto, resolveu adotar uma criança. Percorreu o mundo, matriculando-se em órgãos oficiais para adoção. Encontrou resistência em praticamente todos os países por ser solteira. Contou-me que o Brasil foi um dos que mais obstáculos impôs. Dois anos atrás, Karen recebeu uma ligação da Rússia. Um menino estava à espera. Tinha quatro anos e havia sido abandonado sozinho dentro de um apartamento na Sibéria, sem comida e em condições de total falta de higiene. Karen retornou à França com Nico e desde então vivem juntos, construindo uma nova história para ambos. O que mais chamou minha atenção foi um comentário que Karen fez antes de terminar o delicioso almoço que havia oferecido ao meu grupo em sua excêntrica caverna. Ela me disse que pretendia fechar a casa por alguns anos e se mudar para Moscou. Por quê? Aquilo me intrigou, pois o menino estava completamente adaptado à nova vida na França. Fala francês e inglês fluentemente e não parece querer buscar algo perdido. Karen explicou: sua decisão nada tinha a ver com a situação da adoção, nem muito menos era uma forma de dar a Nico algo que no futuro poderia lhe fazer falta. Ela simplesmente queria oferecer a Nico a oportunidade de aprender mais uma língua e entrar em contato com mais uma cultura, pois seria fácil permanecer legalmente na Rússia por algum tempo, já que o menino havia nascido lá. Se era assim, por que não aproveitar? Afinal, Nico é filho de uma cidadã do mundo, e – tal mãe, tal filho – precisa estar sempre pronto para explorá-lo!
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Olá Carol,
ResponderExcluirÉ por essas e outras que acredito tanto no ser humano. Parabéns à Karen e seu precioso filhote, Nico. Bacana compartilhar seu diário de bordo amiga. Bjs.,
lu.
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