Saí do Líbano pequena, mas voltei algumas vezes para visitar os parentes. Numa dessas ocasiões, fiquei quase um ano com a minha mãe, enquanto meu pai cuidava dos negócios em São Paulo. Uma das lembranças mais doces desse período foi a minha amizade com um menino palestino, que relatei no meu livro (escrito em terceira pessoa):
As portas dos apartamentos do conjunto de prédios em que a avó de Carol morava permaneciam abertas para que as vizinhas pudessem passar o dia conversando enquanto cozinhavam. O trabalho de lavar as roupas, o mais extenuante de todos, era compartilhado. Nos corredores as crianças brincavam despreocupadamente e a música árabe, a todo volume, ecoava pelos vãos das escadas dos edifícios. Enquanto as meninas trocavam suas bonecas, os meninos brincavam com as tampas de refrigerantes que recolhiam ou de bola, quando aparecia uma no bairro. O programa mais sofisticado era ir ao cinema, aos sábados, assistir comédias ingênuas.
Nessa época Carol fez amizade com o menino do apartamento em frente ao da avó. Miúdo, de pele clara e olhos esverdeados, ele tinha uma coragem que até então Carol não sabia que crianças podiam ter. Fazia as compras de casa sozinho, falava com os feirantes da rua e com os outros adultos de igual para igual, pegava o ônibus para atravessar a cidade e buscar alimentos que não existiam nos mercadinhos locais.
domingo, 18 de julho de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário