segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Ibrahim e Mireille (1)

Zahle, Líbano, verão de 1961. Propositalmente escondida em um canto do piano-bar vazio, sufocada pela fumaça dos cigarros que acendia sem parar, Mireille pouco lembrava a mulher habituada a ser o centro das atenções por onde quer que fosse. No lugar do sorriso luminoso aparecia vez ou outra apenas um esboço protocolar, reconhecimento ao empenho da prima Sônia em tentar animá-la. Também quase não havia vestígio da sua "marca registrada", o olhar que lhe dava um ar permanente de superioridade e suposto desinteresse pelo que acontecia ao redor, tal como uma diva de cinema entediada. Naquele momento, tudo o que Mireille deixava transparecer era tristeza. Acabara de romper o terceiro casamento, antes mesmo de oficializá-lo. Como nas outras ocasiões, tomou a iniciativa. Desta vez, contudo, a separação veio acompanhada de uma sensação estranha, um vazio difícil de explicar. Um sentimento de incompetência que evoluía rapidamente para um estado de depressão. Aos 30 anos, seria o fantasma da solidão a assombrá-la?

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