quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Ibrahim e Mireille (2)

Fora da temporada de inverno, raramente aparecia alguém diferente no Kadri. Certa noite, no entanto, dois homens bem-vestidos entraram no piano-bar. Um deles Mireille conhecia desde criança, já que as famílias de ambos frequentavam os mesmos lugares: era Ibrahim, um fazendeiro que ela, com sua educação francesa e vivência em vários países, considerava grosseiro e caipira. Na adolescência, um dos passatempos de Mireille era satirizar os hábitos e atitudes dos jovens da região. Ibrahim, um ano mais velho, era um dos alvos prediletos. Ela ria do bigodinho dele, das roupas, do sotaque pesado de árabe. Tamanha hostilidade não deixava de ser uma reação: filha de divorciados desde os dez anos, com hábitos excessivamente liberais como usar shorts e biquíni (os primeiros a chegar às lojas de Beirute), Mireille não era bem vista pelas famílias tradicionais da região.

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