terça-feira, 17 de agosto de 2010

Terras imaginárias – Pasárgada

Para encerrar a série sobre terras imaginárias, eu não poderia deixar de citar o poeta brasileiro Manuel Bandeira e seu célebre poema “Vou-me embora pra Pasárgada”:

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

4 comentários:

  1. Carol, você conhece a contraposição do Drummond a Pasárgada do Bandeira?
    Tão linda quanto, porém mais crítica...

    Não foste embora pra Pasárgada.

    Não era teu destino.

    Não te habituarias lá.

    Em teu território próprio, intransferível,

    nem rei nem amigo de rei,

    és puramente aquele lúcido

    e dolorido homem experiente

    que subjugou seu desespero

    a poder de renúncia, vigília e ritmo.

    Beijos, Fernando

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  2. Quem me dera ir embora, ter uma Passargada para ir. Meu destino deslocado me leva para nenhum lugar. As vezes nao consigo nem mesmo a vida celebrar. Aquelas mentiras me sufocam e aquelas maldades ainda me rondam. Quem dera ter um lugar para simplesmente me refugiar. Onde eu fosse eu mesma e o sonho fosse verdade, e a realidade apenas um sonho onde eu fosse acordar.

    Mallu

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  3. Lindo Mallu!! Obrigada por dividir. bj. Carol

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  4. Querido Fernando,
    A contraposição tem exatamente o mesmo efeito na alma!

    mais uma vez obrigada. Carol

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